Já tinha ouvido falar na crise. Conheço as implicações desta página da História que se escreve mas tenho vindo tentando encará-la numa perspectiva positivamente-indiferente: acaba por ser algo que vem finalmente marcar distintamente a nossa geração, algo imponente que podemos reclamar como nosso mesmo que se apresente revestido em tons de negro. É uma implicação à escala mundial tal como os nossos bisavós tiveram a 1ª grande guerra, os nossos avós a 2ª guerra e a guerra fria, os nossos pais os Beatles e o Bod Dylan, a exploração pioneira do individualismo e o início da contra-cultura, os nossos irmãos mais velhos a queda do comunismo e a cultura MTV, os nossos irmãos mais novos a explosão da internet, os lol’s, a vida virtual... Nós sempre tivémos um pouco “stuck in the middle” sem algo que pudéssemos efectivamente reivindicar como nosso. A crise é nossa. É de outros também, gerações mais velhas que terão porventura mais culpas no cartório, mas não deixa de ser nossa. Ajudámos a causá-la e vamos ajudar a resolvê-la. E estamos no centro dela especialmente impactados por estarmos ainda a contruir as bases futuras da nossa vida - ainda a acabar de decorar a casa comprada não há muito tempo, a começar a pagar as escolas dos filhos, a tentar poupar antes que a segurança social desapareça, etcetc, e ao mesmo tempo a levar na cabeça e a trabalhar que nem mulas para atingir resultados no trabalho que são basicamente irrealistas e a ouvir notícias deste que foi despedido e daquele que ainda à procura de emprego, etc, etc. A crise é nossa. nós somos a página 95 dos livros de História que se vão ensinar. A crise é positiva neste sentido de propriedade de algo marcante.
Pelo menos assim pensei até hoje de manhã realizar que afinal este positivismo é demasiado simplista quando tive que enfrentar o diabo ao volante depois de uma ultrapassagem não mais arrojada que as normais. Uma janela a descer, um braço a levantar-se, um corpo a debruçar-se na porta e a querer saltar do carro, cabelos a voar, quase que juro que vi espuma a sair da boca, e um sem número de insultos que causariam inveja aos mais ferverosos adeptos do Benfica. A verdade é que notei o rosto da crise, cravejado de rugas de preocupação e stress e alterações psicológicas, num cenário absolutamente “poltergeistiano”. Como não era 2ª feira percebi que são efectivamente consequências deste estado de crise, que marca uma geração é certo, mas infelizmente perturbador e que muitas vidas vem alterar e que porventura é melhor não a encarar de ânimo tão leve, nem que seja por respeito e solidariedade com os outros. A ultrapassagem foi “normal” mas os tempos não o são...
Agora dêmos as mãos e cantemos o “kumbaya” e esperemos que esta crise passe rápido e que a solução não implique o Estado ir ainda mais aos nossos bolsos mas que a libra continue a desvalorizar...
Ah, e era uma mulher. Com bom aspecto. tá mesmo uma crise...
Wednesday, April 1, 2009
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1 comment:
...devias ter sacado onúmero de telefone à gaja...
muitas vezes o que vem mascarado de crise pode ser apenas falta de uma boa &%$#...
hahaha
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